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| Budismo e Mundo Contemporâneo |
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Neste DVD, com 1h 20min., o Lama Samten fala sobre os desafios gerados pelo contato do budismo com os vários aspectos da cultura do mundo ocidental contemporâneo, tão diferente da existente no tempo do Buda. O tema desta palestra é a abordagem das dificuldades contemporâneas a partir do budismo; budismo e sociedade, budismo e ecologia, budismo e os vários desafios que enfrentamos nesse momento. A primeira coisa que pode nos vir à mente é que a situação de hoje é muito diferente da existente nos tempos em que o Buda viveu. Era um outro tipo de sociedade, outros eram os tipos de desafio. Essa diferença não é propriamente quanto ao aspecto sutil, sob este ponto de vista a situação é a mesma, porém sob o ponto de vista da aparência da nossa cultura, hoje enfrentamos efetivamente desafios que não existiam no tempo do Buda. No final da década de 80, Sua Santidade o Dalai Lama expressou isso falando da necessidade de um novo Lan Rin, que é o nome que se dá ao caminho gradual na forma como ele é seguido na linhagem Gelugpa. Isso é o equivalente ao trabalho de Patrul Rinpoche que tem o título de Palavras do Meu Professor Perfeito, ou seja, uma apresentação gradual do budismo a partir da Vida Humana Preciosa. Sua Santidade o Dalai Lama se deu conta que os tempos atuais estavam exigindo um novo Lan Rim, e ele dizia: "Eu não tenho tempo para fazer um outro Lam Rim, mas ele precisaria ser feito". Se nós olharmos o que SS o Dalai Lama tem feito, vamos perceber que ele tem desenvolvido justamente aquilo que disse não ter tempo para fazer, ou seja, ele tem tentado dialogar com vários setores da cultura ocidental, com os quais nunca antes o budismo teve diálogo. Por exemplo, neste momento temos a conferência Mind and Life ocorrendo nos Estados Unidos. Essa é uma iniciativa é muito extraordinária, dialogarmos com os cientistas desde a perspectiva do Dharma, dos ensinamentos do Buda. Essa é uma área de grande importância.
Nunca houve na história da humanidade uma primazia tão clara de economia, um papel tão claro da economia como centro de todas as nossas vidas. Há hoje esse diálogo entre o budismo e o pensamento econômico. Somos também desafiados no Budismo, a dialogar com a psicologia, com a psiquiatria, disciplinas recentes, que não existiam na época do Buda. Vemos então muitos desafios para os budistas no momento atual. Temos que encontrar palavras e saber lidar com essas questões desde a perspectiva budista. Sob o ponto de vista externo, temos estas aparências. Há também uma reflexão geral muito interessante que assisti a SS o Dalai Lama fazer com relação aos cientistas. Ele disse que os cientistas são crentes, enquanto que os budistas são céticos. De fato, quando olhamos para a ciência, vemos que os cientistas se baseiam em pressupostos, em paradigmas, em hipóteses que não são questionados, então neste sentido eles são crentes, acreditam que há uma formulação básica, original, das coisas, enquanto que no Budismo, nós vamos trabalhar com a noção da vacuidade. Quando nos defrontamos com as várias aparências e configurações, pensamos sobre como isso brota, como isso surge da própria vacuidade. não pensamos que há um princípio básico universal que apresente uma configuração particular de modo original, vamos considerar que todas as coisas são construídas a partir da liberdade original mas não a partir de um condicionamento original. O budismo tem por base a noção da vacuidade, isso oferece um ponto de vista extraordinário para todos os diálogos que podem se desenvolver entre o budismo e vários setores da nossa vida contemporânea. Tenho observado como os ocidentais tem uma tendência a dar nome às coisas e propor princípios universais com grande facilidade, e todos estes aspectos são artificialidades que são construídas, servem de base para o raciocínio, eventualmente para o planejamento e quando tomamos isso como algo verdadeiro em si, deixamos de questionar estes princípios e, ao não questioná-los, manifestamos a aparência chamada por SS o Dalai Lama de "aparência dos crentes". O budismo se coloca então como uma posição de onde podemos criticar, podemos nos distanciar destas várias crenças. No caso da ciência, especificamente, quando nós encontramos as várias teorias, a posição budista frente às várias teorias é uma posição mais livre. Na verdade, os cientistas, quando trabalham com suas teorias, terminam encontrando esse ponto mais livre porque as teorias se revelam limitadas, eles terminam por abandonar ou relativizar aquela teoria e gerar novas teorias. Nesse momento se dão conta que aquela visão não era uma visão final, mas sim uma visão particular, uma visão construída. No budismo, isso já uma posição inicial, já de saída se pensa desse modo. Nesse sentido muito amplo poderíamos dizer que o budismo oferece um método extraordinário que é própria visão da vacuidade, a compreensão da vacuidade de todas as aparência que incluem também os princípios universais.
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